A história da azulejaria em Portugal tem sido marcada por peças de uma beleza inexplicável que elevam o valor artístico nacional. São vários os sítios em Santarém onde é possível conhecer estas obras de cerâmica que são expressão viva da cultura e da identidade nacional.
Nas terras escalabitanas são diversos os edifícios que contam histórias e narram séculos de glória através das cores e dos padrões inigualáveis da cerâmica.
Conheça mais sobre algumas das construções mais notáveis de Portugal abaixo.
Anexa à Igreja do Convento de Nossa Senhora de Jesus do Sítio (século XVII), na Avenida Dom Afonso Henriques, encontra-se a Capela da Ordem Terceira de São Francisco, considerada uma obra-prima do barroco nacional, completamente revestida de talha dourada e de magníficos painéis de azulejo. Tendo como ponto forte a Hagiografia Franciscana, a arte decorativa da Capela Dourada, num cenário de representação teatral, transpõe, a olho nu, uma linguagem comum na evocação das cenas marcantes da vida de São Francisco de Assis através do diálogo entre o azulejo e pintura em tela, rematada por talha dourada.
A capela foi alvo de reabilitação estrutural e das coberturas, até que nos anos 2020 e 2021 pode receber uma significativa campanha de conservação e restauro – promovida pela Santa Casa da Misericórdia de Santarém e financiada pelo Fundo Rainha D. Leonor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa em parceria com a União das Misericórdias Portuguesas. Os trabalhos foram inaugurados no dia 31 de maio de 2021, e a Capela está acessível através da visita à Igreja de Jesus Cristo.
A Igreja de Santa Maria da Graça, igualmente conhecida como Igreja da Graça, localiza-se no Largo Pedro Álvares Cabral (também conhecido como Largo da Graça), em pleno centro histórico da cidade de Santarém. Conseguindo o patrocínio de vários membros importantes da nobreza Scalabitana, entre os quais os primeiros Condes de Ourém, D. João Afonso Telo de Meneses e Dª Guiomar de Vilalobos, sua esposa, os frades Agostinhos fixam-se em Santarém em 1376 e as obras para a construção da Igreja iniciam-se no ano de 1380, sendo finalmente terminadas no segundo quartel do século XV.
Durante os séculos XVII e XVIII, foram executadas decorações várias nos altares e nas capelas, nomeadamente pinturas, colocação da decoração azulejar nas paredes da Capela do Senhor dos Passos e retábulos. De especial destaque, o painel de azulejos do século XVIII que representa São João Batista entre Santa Rita e São Francisco, localizado na capela da ala direita.
O atual aspecto interior do templo resulta da reabilitação realizada pela antiga DGEMN, na qual foram suprimidos a maioria dos elementos dissonantes do imaginário gótico, de toda essa decoração sobre esta capela.
Os cinco painéis de propaganda comercial de Luis Antonio Ferreira (1806-1873), mais conhecido por “Ferreira das Tabuletas”, encontram-se na rua Capelo e Ivens.
Luís António Ferreira, ou Ferreira das Tabuleta (S), foi um pintor de azulejos de finais do século XIX, formado na Fábrica do Rato, que deixou obras extremamente criativas, de carácter ao mesmo tempo simples e vibrante.
A ele se atribuem vários exemplares pelo pais, de igual importância, com destaque, por exemplo, para o interior da Cervejaria Trindade em Lisboa.
Para além da sua função decorativa, os painéis aqui destacados, incluem-se num conjunto inteligente de propaganda. Os painéis de azulejos de “Ferreira das Tabuletas” são um cartão de visita ao conhecimento sobre uma figura ímpar na história da arte em Portugal, cuja energia vibrante ainda hoje nos cativa pela sua estrondosa qualidade.
A Igreja de Nossa Senhora de Marvila (edifício do século XII), localizada no centro histórico, junto ao largo conhecido anteriormente como Praça Velha, e pertence a uma das mais antigas paróquias da cidade.
No seu interior sobressaem os azulejos polícromos da primeira metade do século XVII, que lhe valem a designação de “catedral do azulejo seiscentista” no país. Desta forma, este templo constitui um pequeno museu da história da arte azulejar portuguesa.
A igreja constitui o maior núcleo seiscentista existente em Portugal, com 1200m2 de área, correspondendo a mais de 65 000 placas cerâmicas. Na parte superior das paredes da nave é empregue o maior padrão azulejar, conhecido pelo nome de “padrão rico de Marvila”.
A Igreja da Misericórdia de Santarém, também conhecida como Igreja de Nossa Senhora da Visitação, de estilo maneirista e barroco, com planta tipo igreja-salão, situa-se no centro histórico, mais concretamente na Rua 1º de Dezembro.
Inserida no edifício da Igreja da Misericórdia a Sala do Definitório (local onde se reúne o Conselho deliberativo de assuntos religiosos), ou Consistório, possui um magnifico silhar de azulejos neoclássicos, que percorre a Sala com motivos vegetalistas e decorativos, em verde azeitona e roxo manganés, centrados por cartelas redondas em azul sobre fundo branco, representando as Obras Corporais da Misericórdia, ilustradas com cenas do quotidiano. Colocadas sem ordem sequencial, a partir da entrada, temos as seguintes representações: “enterrar os mortos”, “remir os cativos”, “visitar os enfermos”, “visitar os presos”, “dar de beber a quem tem sede”, “dar de comer aos famintos”, “dar pousada aos peregrinos” e “vestir os nus”.
O conjunto encontra-se atribuído ao pintor Francisco Jorge da Costa, ativo até ao final do século XVIII, cujas obras, inicialmente mais próximas do rococó e depois o neoclássico, testemunham o panorama da azulejaria portuguesa do final do século.
A Igreja e o edifício anexo acolheram a sede da Santa Casa da Misericórdia, até à transferência desta para o Convento de Nossa Senhora de Jesus do Sítio. Ambos estão classificados como Monumento Nacional desde 1922.
O Palácio dos Meneses, também conhecido por Palácio de Eugénio Silva, ou Paços do Concelho, é um magnífico exemplar da arquitetura civil solarenga dos séculos XVII e XVIII.
O Palácio, classificado como Imóvel de Interesse público em 1951, é a atual sede da Câmara Municipal da cidade de Santarém desde 1956, e ergue-se no Largo do Município. Foi, até meados finais do século XVIII propriedade e residência da Família Telles de Meneses.
No primeiro andar do edifício, na sala que atualmente antecede a Sala das Sessões, chamada de Sala dos Vereadores, podemos admirar um magnífico conjunto de painéis de azulejos que se inserem numa estética do sec. XVIII e que representam dez virtudes: respeito, prudência, piedade, entendimento, união, abundância, zelo, providência, silêncio e justiça.
Os azulejos, pela sua indubitável beleza, ainda hoje prendem a atenção de quem passa pela sala.
Datado de 1930, sob o traço do arquiteto Cassiano Branco (1897 -1970), veio substituir o mercado ao ar livre que sobreviveu durante séculos na Praça Visconde Serra do Pilar, conhecida como Praça Velha. Trata-se de exemplar da arquitetura do ferro conjugado um modelo histórico cultural, dando-lhe um «ligeiro ar de chalet».
Classificado como Imóvel do Interesse Público em 2012, o Mercado Municipal ostenta, com altivez, um valioso núcleo de azulejos de pintura naturalista, alusivos ao Ribatejo, colocados entre 1932 e 1936, e oriundos da Fábrica de Louça de Sacavém. Nas suas paredes, desfila arte azulejar que representa orgulhosamente património e monumentos da cidade, marcos históricos nacionais, representações dos trabalhos agrícolas e vivências várias dos escalabitanos e do quotidiano da região do Ribatejo nos inícios do século XX. Iniciadas no verão de 2019, uma série de obras de remodelação do Mercado Municipal de Santarém, preveem a preservação e revitalização deste ponto-marco do património azulejar escalabitano.
O Paço Episcopal, também conhecido como Colégio dos Jesuítas ou Igreja do seminário, está situado no centro histórico da cidade de Santarém, mais concretamente na Praça Sá da Bandeira.
O magnífico conjunto de azulejos do Seminário Patriarcal, constitui um fiel e valioso testemunho do papel de destaque representado pelo azulejo em Portugal.
Podemos afirmar, com certeza, que a zona conventual possui um riquíssimo conjunto azulejar barroco, representando caçadas, cenas portuárias e de género, algumas truncadas pela abertura de novos vãos, destacando-se o de temática franciscana, existente junto ao refeitório bem como os da sala dos atos, neoclássicos, esta construída à semelhança de outras grandiosas salas de Colégios da Companhia de Jesus.
A Igreja foi elevada à função de Catedral e Paço Episcopal da Diocese de Santarém em 1975, data de criação desta diocese.
A Estação da CP de Santarém, cujo a linha data de 1861, situa-se no Largo da Estação, na Ribeira de Santarém. O edifício de passageiros, concluído em 1927, apresenta um original conjunto de painéis de azulejos que compõem a sua fachada posterior e que nos convidam a mergulhar na cultura e nos costumes da cidade, recebendo-nos, em tons de azul e branco, à saída do comboio.
Segundo a escritora portuguesa Agustina Bessa-Luís (1922-2019) os azulejos da Estação de Santarém representam, com distinção, o conjunto de azulejos espalhados pelas estações portuguesas que, em algumas paragens, são como magníficos postais ilustrados dessa região. Segundo a própria, na estação de Santarém encontram-se “dos melhores azulejos (…) muito vivo, muito honrados de realismo, com as feiras de gado e a corrida dos campinos a reunir as reses.”
A Estação está decorada com 18 magníficos e imponentes paneis de azulejo produzidos pela Fábrica Aleluia de Aveiro, que retratam, com emocionante perfeição, as tradições ribatejanas, trabalhos agrícolas e monumentos de Santarém, Golegã e Ourém.
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